Por Daniela Origuela
| Jovens em ato político na capital São Paulo. |
Entre as décadas de 1970 e 1980, a luta pela democracia no País levou milhares de jovens a procurar um espaço para gritar por liberdade. Esse espaço era traduzido nos partidos políticos de esquerda, considerados revolucionários. Mas, o que antes era movido pelo anseio de dias melhores, hoje, para muitos jovens, não passa de um meio que as pessoas arrumam para ganhar dinheiro.
Segundo, o coordenador da Juventude Socialista Brasileira (JSB) na Baixada Santista, Thiago Garcia, 27 anos, esse é o pensamento de grande parte da juventude. Thiago representa os milhares de jovens que ainda militam dentro dos partidos políticos. “A questão é que hoje vivemos num mundo diferente daquele de 30 anos atrás. O jovem não quer discutir política, ele prefere se preocupar com o carro novo, mas não quer saber que a política influencia no preço do pão, por exemplo”, diz Garcia.
O militante afirma que as notícias veiculadas na mídia também interferem na falta de interesse dos jovens pelos partidos. “Eles acabam rotulando todos que pertencem a uma determinada sigla, só porque alguém cometeu algo errado. É a famosa ‘rejeição antiética’”, completa Thiago.
Para o coordenador da Juventude do Partido dos Trabalhadores (JPT) na Baixada Santista, Arthur Godoy, 29 anos, a questão é que a discussão ideológica está fragilizada. “A juventude está muito individualista, sem a consciência coletiva. Ele se ausenta dos seus compromissos como cidadão”, diz Godoy.
Sobre o enfraquecimento das legendas, ele cita como exemplo o Diretório Municipal do PT em Santos, atuante na década de 1990 e em fase difícil, atualmente. “O PT não diminuiu em Santos e nem deixou de ter jovens, acontece que as grandes lideranças assumiram outros papéis no Executivo e Legislativo e não tiveram tempo de pensar no partido para o futuro”.
Os dois jovens dirigentes acreditam que o caminho para modificar o cenário passa pela discussão com a juventude sobre o que é política de verdade e não politicagem. “Isso significa priorizar a formação”, destaca Thiago.
*Matéria publicada na edição de 23/03/2011 do jornal laboratorial "Primeiro Texto", produzido por alunos do 2º ano de jornalismo da FaAC Unisanta.
2 comentários:
Não adianta culpabilizar a juventude. Nossa sociedade em geral não se interessa por política. E isso é fato. O que precisamos é refletir o porquê desse desinteresse, e de que forma tornar a sociedade mais participativa, isso diante do sucateamento da educação, da saúde, do bombardeamento midiático que criminaliza, inverte valores e desarticula a classe trabalhadora.
( E por que será?)
(A falta de confiança em mudanças tem suas razões? Quais?)
(O maior partido de esquerda, o PT, está no poder, é exemplo de mudanças concretas? Ou atende as classes dominantes?)
( Porque todos queremos ter e não ser?)
Gostando ou não, essa coisas refletem.
Segundo Marx "O pensamento dominante é sempre da classe dominante"
O capitalismo é muto mais que um sistema monetário, reside enquanto mito no imaginário da pessoas que formam a sociedade, por isso sua reprodução em todas as relações sociais. É preciso romper com essa lógica, e como fazer isso?
Durante a ditadura o enfrentamento era pontual, e motivado por anseios de mudanças que ocorriam no mundo todo.
E hoje? Oras, Bandeiras de lutas é que não faltam. Mas qual o trabalho de base que existe?
A própria palavra revolução não cabe mais na pauta de boa pate da esquerda. Isso no sentido literal da palavra, no pejorativo temos as reformas.
Bem, eu concordo com a formação que é urgente.
No entanto, ela começa pelo militante, pois ouso dizer que a maioria dos militantes mal sabem explicar Belo Monte, código florestal o plano IIRSA entre outras coisas...
Por isso, se tornam marionetes de partidos ou grupos. Resultado: lutam cegamente, numa luta que se torna mais uma manutenção do sistema do que mudanças concretas.
Aí na analise " culpabilização de alguém ou um grupo, que só está condicionado por algo muito maior".
É preciso rasgar a cartilha da respostas prontas e delegadas para um grupo social, a mudança é estrutural, de um sistema que temos que por abaixo, e que até agora nós revolucionários não fomos capazes de encontrar o instrumental necessário para destruí-lo, aí ficamos tentando fazer reformas quando precisamos de revolução, quando não, construindo discursos para defender a esquizofrenia de quem bate com uma mão e tira com a outra.
É como nadar num pires, ou seja, é muito raso o entendimento de realidade, daí poucos avanços e discussões superficiais.
Valeu.Tamujunto!
É Ailton realmente vc tem razão. Comungo da mesma ideia.
O maior desafio é: como exteriorizar nossos anseios, e reparti-los com o jovem?! O mundo mudou, os problemas mudaram, a juventude mudou.
Culpar os jovens? Jamais. Eles são o reflexo dessa sociedade capitalista e individualista.
Os problemas coletivos só despertam interesse quando o calo aperta.
Valeu pela visita! Estamo ae!
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