Um dia desses bem cedinho, dentro do ônibus, a caminho da faculdade, ouvi uma grande discussão sobre os personagens políticos da eleição deste ano. A polêmica começou com a passagem de uma fila de carros repletos de propagandas e bandeiras de um determinado político da região.
Uma senhora grita “político é tudo ladrão, só aparecem de quatro em quatro anos”. Outro senhor com um pensamento parecido dispara “esse aí então nem se fala, por isso é que eu vou votar no Tiririca”. Uma jovem entusiasmada com os comentários decide entrar na conversa “pior não fica, eu também vou votar no Tiririca”. Tem início um verdadeiro debate. Uns contra, outros a favor. Muita gente indecisa. Entre votos brancos e nulos muitos risos e gargalhadas. De vez em quando alguém arriscava um palpite que não envolvesse o nome Tiririca.
De repente, um jovem senhor de voz rouca se intromete na conversa: “Hoje vocês dão risada do palhaço, amanhã o palhaço vai dar risada de vocês”. Todos ficaram em silêncio. Como o ônibus já havia chegado ao meu destino, não pude ver o desfecho desta discussão.
Palhaçadas a parte, votar num palhaço como forma de protesto, é a mesma coisa que votar consciente em alguém que tem ficha suja.
O que não falta nas Câmaras e Assembleias de todo o País são “Tiriricas” vestidos de terno e gravata. Suas melhores piadas podem ser vistas na falta de Educação, Saúde, Segurança, e até mesmo no bolso. Como no circo, quem paga pelo espetáculo somos nós.
Enquanto o povo não entender quem é o palhaço e que voto é coisa séria, a tendência é aumentar cada vez mais o picadeiro.
Quem ri por último, ri melhor!
