quarta-feira, 6 de abril de 2011

Falta de interesse afasta jovens da militância


Por Daniela Origuela

Jovens em ato político na capital São Paulo.
Entre as décadas de 1970 e 1980, a luta pela democracia no País levou milhares de jovens a procurar um espaço para gritar por liberdade. Esse espaço era traduzido nos partidos políticos de esquerda, considerados revolucionários. Mas, o que antes era movido pelo anseio de dias melhores, hoje, para muitos jovens, não passa de um meio que as pessoas arrumam para ganhar dinheiro.

Segundo, o coordenador da Juventude Socialista Brasileira (JSB) na Baixada Santista, Thiago Garcia, 27 anos, esse é o pensamento de grande parte da juventude. Thiago representa os milhares de jovens que ainda militam dentro dos partidos políticos. “A questão é que hoje vivemos num mundo diferente daquele de 30 anos atrás. O jovem não quer discutir política, ele prefere se preocupar com o carro novo, mas não quer saber que a política influencia no preço do pão, por exemplo”, diz Garcia. 

O militante afirma que as notícias veiculadas na mídia também interferem na falta de interesse dos jovens pelos partidos. “Eles acabam rotulando todos que pertencem a uma determinada sigla, só porque alguém cometeu algo errado. É a famosa ‘rejeição antiética’”, completa Thiago.

Para o coordenador da Juventude do Partido dos Trabalhadores (JPT) na Baixada Santista, Arthur Godoy, 29 anos, a questão é que a discussão ideológica está fragilizada. “A juventude está muito individualista, sem a consciência coletiva. Ele se ausenta dos seus compromissos como cidadão”, diz Godoy. 

Sobre o enfraquecimento das legendas, ele cita como exemplo o Diretório Municipal do PT em Santos, atuante na década de 1990 e em fase difícil, atualmente. “O PT não diminuiu em Santos e nem deixou de ter jovens, acontece que as grandes lideranças assumiram outros papéis no Executivo e Legislativo e não tiveram tempo de pensar no partido para o futuro”.  

Os dois jovens dirigentes acreditam que o caminho para modificar o cenário passa pela discussão com a juventude sobre o que é política de verdade e não politicagem. “Isso significa priorizar a formação”, destaca Thiago.

*Matéria publicada na edição de 23/03/2011 do jornal laboratorial "Primeiro Texto", produzido por alunos do 2º ano de jornalismo da FaAC Unisanta.