segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Aborto na casa dos outros é refresco

É muito comum julgarmos os atos dos outros sem olharmos para os nossos próprios atos.
Fazermos críticas aos problemas dos outros, e esquecermos que eles podem se tornar nossos próprios problemas.
O que acontece na casa do pobre, também acontece na casa do rico. Com uma diferença: o poder aquisitivo.
Por exemplo, o aborto da jovem rica é feito em clínica particular ou num consultório médico. O aborto da jovem pobre é feito no “açougue da esquina” ou no banheiro de casa.
Para curar o sangramento, a rica toma remédios e é acompanhada por médicos. A pobre toma “garrafada” e é acompanhada por “curandeiros”.
A mãe da jovem rica quando descobre o ato da filha, finge que não viu: Aborto é coisa de pobre. A mãe da jovem pobre, passa a mão na cabeça, e conta as moedas para ver o que pode fazer pela filha.
A jovem rica não se preocupa com a legislação, afinal ela fez uma Curetagem. A jovem pobre tem medo do seu destino, não procura atendimento médico e sangra até morrer.
Anos mais tarde, a jovem pobre que sobreviveu ao aborto, conta a experiência horrorosa para as amigas. Enquanto a jovem rica, nega até a morte ter feito um aborto e critica todas aquelas que já cometeram.
Chega de hipocrisia. Milhares de mulheres morrem e são mutiladas anualmente devido à conseqüência de procedimentos realizados clandestinamente.
Sabemos que a maior dádiva da vida de uma mulher é o dom de ser mãe, mas não dá pra tratar o aborto como questão religiosa ou moral, enquanto no quarto ao lado pode estar morrendo a sua filha.
“Aborto na casa outros é refresco!”.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

"Palhaçadas"

Um dia desses bem cedinho, dentro do ônibus, a caminho da faculdade, ouvi uma grande discussão sobre os personagens políticos da eleição deste ano. A polêmica começou com a passagem de uma fila de carros repletos de propagandas e bandeiras de um determinado político da região.

Uma senhora grita “político é tudo ladrão, só aparecem de quatro em quatro anos”. Outro senhor com um pensamento parecido dispara “esse aí então nem se fala, por isso é que eu vou votar no Tiririca”. Uma jovem entusiasmada com os comentários decide entrar na conversa “pior não fica, eu também vou votar no Tiririca”. Tem início um verdadeiro debate. Uns contra, outros a favor. Muita gente indecisa. Entre votos brancos e nulos muitos risos e gargalhadas. De vez em quando alguém arriscava um palpite que não envolvesse o nome Tiririca.

De repente, um jovem senhor de voz rouca se intromete na conversa: “Hoje vocês dão risada do palhaço, amanhã o palhaço vai dar risada de vocês”. Todos ficaram em silêncio. Como o ônibus já havia chegado ao meu destino, não pude ver o desfecho desta discussão.

Palhaçadas a parte, votar num palhaço como forma de protesto, é a mesma coisa que votar consciente em alguém que tem ficha suja.

O que não falta nas Câmaras e Assembleias de todo o País são “Tiriricas” vestidos de terno e gravata. Suas melhores piadas podem ser vistas na falta de Educação, Saúde, Segurança, e até mesmo no bolso. Como no circo, quem paga pelo espetáculo somos nós.

Enquanto o povo não entender quem é o palhaço e que voto é coisa séria, a tendência é aumentar cada vez mais o picadeiro.

Quem ri por último, ri melhor!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Biografia de um indigente - Parte I

“Pés descalços, bermuda surrada, um pedaço de pão na mão. No rosto as marcas de um resfriado que se não cura, e no olhar o desejo de ser amado. Não tem o tamanho de um homem grande, mas é tratado como se assim fosse. O choro e os palavrões são as suas armas. Por enquanto, a sua única “amiga e inimiga” é aquela que lhe deu a vida. Ele é o caçula de “uma dúzia de frutos indesejados”. O seu destino não foi traçado na maternidade, e sim num quarto escuro de uma esquina qualquer. Ninguém lhe ouve, seu grito representa um desespero, uma angústia. Dizem que ele é o futuro da nação. Que nação?! As leis que ele aprende não foram feitas por homens engravatados, mas sim por homens armados e amados por aquela que lhe pôs no mundo. Sua primeira foto, foi na mesa de um bar, ao lado da garrafa de pinga e de um maço de cigarro. Foi batizado com álcool etílico, no dia em que sua mãe, mais uma vez, foi abandonada. Nem tudo é tristeza para ele, a bola talvez seja a sua maior alegria, e quem sabe a esperança de um futuro melhor. A única certeza que ele tem na vida é de que quando crescer será um jogador de futebol. “

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O ENEM e o PROUNI na minha vida

Três décadas, trinta anos, essa é a minha idade. Três filhos, Tripla jornada. Literalmente o número três me persegue.

Numerologia a parte, estou vivendo a melhor fase da minha vida. Nunca pensei chegar onde cheguei. Aliás, pensei sim, na brincadeira de criança, quando o meu sonho era entrar na faculdade e ser Advogada.
Forçadamente, e por força do destino, tive que esperar um pouco até que eu conseguisse chegar onde cheguei, ao banco da sala de aula de uma Universidade.

Modéstia a parte, capacidade até que eu tinha, haja vista as minhas notas do Ensino Fundamental e do inicio do Ensino Médio. O problema é que eu decidi, por um acaso, mudar o ciclo natural da vida. Aos 16 anos, com uma criança no colo, tive que assumir o papel de mãe. Os estudos já não faziam mais parte dos meus planos, pelo menos por enquanto.

Abandonei os estudos, constitui família, mas continuei trabalhando.Com três filhos, aos 22 anos, nunca parei de trabalhar. A carreira doméstica não era pra mim. Minha independência começou no meu primeiro emprego, aos 13 anos.

Eu sabia que nos estudos estava a minha chance de ser feliz de verdade. Que era a oportunidade de proporcionar aos meus filhos uma vida mais digna. Infelizmente, não consegui conciliar a vida familiar e profissional, com a escola.

Enfim, no ano passado, quando eu já pensava em encarar um EJA (Ensino de Jovens e Adultos), para terminar o terceiro ano do Ensino Médio, surge uma grande oportunidade: o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio).

O ENEM, além de avaliar o Ensino Médio, proporcionar o acesso as Universidades Federais e ao PROUNI (Programa Universidade para Todos), daria a chance àqueles que, por algum motivo, não concluíram o Ensino Médio, de certificar as suas competências, e se habilitar a continuar os estudos no Ensino Superior.

Mesmo fora da escola por treze anos e sem tempo para pegar nos livros, resolvi me inscrever. Peguei um simulado da internet, e rascunhei algumas respostas. Foi o que fiz até os dias das provas. E que provas!

Foi uma maratona de perguntas longas que, no meu ponto de vista, não eram difíceis de se responder, mas tinha que ser compreendidas. Pura interpretação de texto. Imaginem a situação do segundo dia de prova. Português, Matemática, e Redação. Pensei: “Já era! Nem estudei.”

Contei os dias para saber o resultado. A ansiedade me consumia. Mas, finalmente saiu o resultado das provas. E...surpresaaaa: mandei muito bem. Além de garantir a certificação para o Ensino Médio, havia garantido pontuação suficiente para concorrer às vagas do SISU e do PROUNI.

Confesso que chorei. Chorei muito. Pulei de alegria. Parecia uma adolescente. Pensei nos meus filhos. Na minha mãe. Na minha vida. E na história que um dia eu tinha deixado de escrever.

Inscrevi-me para a 1ª chamada do PROUNI.  Fui aprovada na minha 1ª opção: Jornalismo (que hoje eu curso na UNISANTA). Não sei como descrever a felicidade que senti. Toda vez que eu via o comercial do PROUNI caía no choro e dizia: Eu Consegui!

Nos primeiros dias de aula, custei acreditar que o sonho tinha se tornado realidade. Aos poucos, a ficha foi caindo, e finalmente assumi a minha mais nova posição social: a de Universitária.

Digo que foi Deus no Céu, que me deu força e coragem para alcançar meus objetivos. E o Presidente Lula, na Terra, que por meio da democratização do Ensino Superior, deu oportunidade para que eu, e milhares de jovens do País conseguíssemos ser “Alguém um dia na vida”.

terça-feira, 6 de abril de 2010

“O Aborto dos Outros” / Sexualidade e Direito Reprodutivo

Falar em aborto é um assunto muito delicado. E olha que já estamos no século XXI. Mas, infelizmente, mesmo com tantos métodos de prevenção a gravidez, milhares de mulheres morrem ou ficam estéreis em conseqüência de um aborto mal sucedido.


É muito fácil julgar as pessoas, e debater a legalidade do aborto (não estou aqui para entrar nesse mérito). O difícil é reconhecer que o tema deve ser encarado como problema gravíssimo de saúde pública, que merece a devida atenção.

Não dá para discutir princípios éticos, morais e religiosos, quando tratamos da vida de milhares de mulheres, que, em sua grande maioria, são jovens com menos de 25 anos.

Sabemos que são inúmeros os métodos contraceptivos, que inclusive são distribuídos pela rede pública de saúde. Sabemos, também, que hoje, as informações sobre sexualidade chegam com maior facilidade aos jovens, ao contrário do que ocorria antigamente. Mas alguma coisa ainda está errada, e é isso que precisamos discutir.

Na próxima semana, de 12 a 18 de abril, será realizada a Semana Municipal de Juventude de São Vicente. E no intuito de debater com a galera esse tema tão importante que é a “Sexualidade e Direito Reprodutivo”, eu e a minha “miga Lamaison”, preparamos um super cine-debate com o documentário “O ABORTO DOS OUTROS”, de Carla Gallo.

Venha discutir com a gente a melhor forma de encarar esses problemas de saúde pública, que gera graves problemas sociais. O cine-debate será realizado no dia 16 de Abril, às 18h00, na Câmara Municipal de São Vicente - Rua Jacob Emmerich, 1195 – Parque Bitarú – São Vicente /SP.

quinta-feira, 25 de março de 2010

TROGLODITA BBB10 X GOVERNADOR MAQUETE

O que será pior? Um cara em pleno horário nobre da TV, dizer que AIDS só contrai quem é gay. Ou, um Governador inaugurar uma “maquete” em alto estilo. É evidente que, as duas situações são bem esdrúxulas, e reflete a sociedade em que vivemos.
Para entender melhor os dois acontecimentos, e o comportamento do ser humano, resolvi fazer algumas comparações:

No Ensino Fundamental, lá pelo 6º ou 7º ano, aprendemos como são transmitidas as DST’s, e como são prevenidas (claro que de uma forma adequada para a idade). Quando crescemos um pouco mais, aprendemos a conviver com a diversidade. É certo que nem sempre respeitamos, mas aceitamos e avançamos muito no assunto (é o que parece). As campanhas de prevenção a AIDS são constantemente veiculadas nos órgãos de imprensa e na mídia em geral. As Paradas GLBTT ocorrem no Brasil inteiro (apesar de uma grande parcela de homofóbicos estragarem a festa). A Lei Maria da Penha garante o direito das mulheres em se defender, prendendo os covardes machistas em seu devido lugar.

Daí, me aparece um “troglodita”, que mal sabe falar, em um dos maiores canais de televisão do País, em horário nobre, contrariando tudo aquilo que conquistamos. E o pior de tudo, aplaudimos esse cara de pé. Permitimos que as crianças duvidem dos professores e da ciência, pois a AIDS se “pega” em relação sexual sem camisinha, seja essa relação heterossexual ou homossexual, seja a pessoa gay, lésbica, homem, mulher, travesti, criança, jovem, adulto, idoso, solteiro, casado, em qualquer um. Permitimos também, que nossos filhos acreditem que gays e travestis são “aberrações”, e que certo é ser fortão, machão, fazer luta livre (ou sei lá o que), gritar com as pessoas, ser o dono da verdade, e ainda ameaçar mulher (que só não apanhou por conta das câmeras). Triste é ver no final de tudo isso, a Procuradoria Geral da República ter que processar o bendito Canal de TV por causa da blasfêmia dita pelo “troglodita”. E, esse mesmo Canal se negar a tomar qualquer tipo de atitude. Como disse o apresentador: “Maiores informações sobre a AIDS, no site do Ministério da Saúde www.aids.gov.br”.

Agora vamos ao caso da inauguração da “maquete”. Um circo armado, onde o artista principal é o “povo palhaço” que está na arquibancada.

Nos livros de história do Brasil, vimos que passamos por um longo e sangrento período de ditadura, onde as pessoas não tinham direito de ir e vir, e os governantes eram militares escolhidos entre eles mesmos. Pois bem, muita gente morreu ou simplesmente desapareceu para que nós pudéssemos, enfim, termos o direito de ir e vir, de abrir a boca quando se tem vontade, de escolher o bendito ou maldito que irá nos representar. Conseguimos tirar do poder um Presidente da República, através do movimento dos “caras pintadas” que acarretou no impeachment. Com o surgimento da Internet e o fácil acesso aos meios de comunicação, os escândalos envolvendo os políticos adentraram as nossas casas nos permitindo conhecer “um pouco mais” nossos representantes.

E como é ano de eleição, era de se esperar promessas e mais promessas. O povo parece que esquece de tudo aquilo que aprendemos lá atrás, e dos direitos que adquirimos com tantas dificuldades. É VLT – Veiculo Leve sobre Trilho, que aparece de dois em dois anos, mas o povo ainda continua se matando dentro dos ônibus lotados. É túnel que liga o “não sei o que ao não sei aonde”.

E agora, a mais nova atração é a Ponte Estaiada, um monumento, que vai ligar Santos ao Guarujá. A mídia regional (Baixada Santista), do mesmo Canal de TV que passa o “Sr. Troglodita”, anuncia dia e noite a obra “faraônica”. Só que tem um detalhe, ela é apenas uma maquete. Nenhuma audiência pública com a população foi realizada, não existe relatório de impacto ambiental  e para piorar a situação, em ano de eleição dificilmente essa obra sairá do papel. Mas, mesmo assim, em uma cerimônia cheia de pompa e graça o Governador fez a inauguração do ano.

Você deve estar se perguntando, o que o Troglodita do BBB 10 tem a ver com o Governador da Maquete. Ora, muita coisa. Os dois são artistas natos (deveriam entrar na Malhação). Adoram contar uma piada (Ary Toledo que se cuide). Enganam o povo (ou povo se deixa enganar). Exterminam a educação (coitados dos professores). E para finalizar têm a mídia seus pés (por que será hein?).

Pare e reflita. Não deixe se influenciar por qualquer coisa. Investigue os fatos. Veja os dois lados do assunto. Aproveite a liberdade que você tem para protestar, para desligar a TV, para votar em quem realmente merece o seu voto. A solução de muitos problemas está em nossas mãos, mas infelizmente insistimos em não ver.

APENAS UM JOÃO!


"Meu nome é João, mas sou mais conhecido como Boladão. Tenho 13 anos, quatro irmãos e ajudo a minha mãe nas despesas de casa.

Não sei escrever direito. Para minha mãe trabalhar eu precisava ficar com os meus irmãos, daí faltei em muitas aulas, mas mesmo assim consegui completar a terceira série. Ah, mas de computador eu entendo viu?! Sou campeão no CS, tenho dois profiles no ORKUT, e se você me add, eu “tc” com “vc” no MSN. Meu passatempo preferido é ir na “lan” lá perto de casa todas as tardes.

Acordo depois do meio dia, pois meu trabalho é árduo durante a noite. Sabe como é né?! “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, e se eu não der meus pulos a galera lá em casa fica sem leite.

Sou o chefe da minha casa. Meu pai eu nem conheci, mas sei que ele era famoso aqui na minha quebrada. Até dizem que eu pareço com ele.

Quando eu nasci a minha mãe tinha a minha idade. Olha ela é muito gata, não tem nem 30 anos. Meus irmãos são todos diferentes, também pudera cada um tem um pai. Minha coroa rala pra caramba, faz faxina, cata latinha, tudo não pra não deixar a gente na mão. Ela diz que eu tenho que sair dessa vida, que tem medo de me perder.

No baile funk, eu sou o rei, meus panos da OAKLEY fazem fazem sucesso, e as gatinhas não largam do meu pé.

Um dia desses lá no meu “trampo” tomei um monte de tapa na cara. Nessas horas eu penso em mudar de vida, mas vejo que não tem outro jeito, já virei VIDA LOKA”.


Esse relato é fictício, mas infelizmente é a realidade de muitos jovens do nosso país.
Embora seja considerado jovem o individuo que tem de 18 a 29 anos, muitos não conseguem chegar aos 21 anos, pois se tornam vitimas da violência.

Muitas jovens se tornam mães muito cedo, e a falta de planejamento familiar faz com que elas tenham mais de três filhos antes de completar os 30 anos. Geralmente esses filhos são gerados de relacionamentos sem sucesso.

A inversão de valores e a influência da mídia contribuem para que o jovem ingresse na criminalidade com a falsa sensação de sucesso e o ganho imediato.

Olhe pra o lado! Veja quantos jovens se encontram nessa situação!

Você pode fazer a diferença! Seja protagonista da construção do Brasil que queremos.

Lembre-se: “A juventude não é o amanhã, ela é o agora!”.