terça-feira, 25 de maio de 2010

Biografia de um indigente - Parte I

“Pés descalços, bermuda surrada, um pedaço de pão na mão. No rosto as marcas de um resfriado que se não cura, e no olhar o desejo de ser amado. Não tem o tamanho de um homem grande, mas é tratado como se assim fosse. O choro e os palavrões são as suas armas. Por enquanto, a sua única “amiga e inimiga” é aquela que lhe deu a vida. Ele é o caçula de “uma dúzia de frutos indesejados”. O seu destino não foi traçado na maternidade, e sim num quarto escuro de uma esquina qualquer. Ninguém lhe ouve, seu grito representa um desespero, uma angústia. Dizem que ele é o futuro da nação. Que nação?! As leis que ele aprende não foram feitas por homens engravatados, mas sim por homens armados e amados por aquela que lhe pôs no mundo. Sua primeira foto, foi na mesa de um bar, ao lado da garrafa de pinga e de um maço de cigarro. Foi batizado com álcool etílico, no dia em que sua mãe, mais uma vez, foi abandonada. Nem tudo é tristeza para ele, a bola talvez seja a sua maior alegria, e quem sabe a esperança de um futuro melhor. A única certeza que ele tem na vida é de que quando crescer será um jogador de futebol. “

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