segunda-feira, 27 de junho de 2011

Migrante Calunga

Numa semana repleta de inspiração, escrevi esse poema para complementar um vídeo institucional produzido para uma sessão solene na Cãmara Municipal de São Vicente. A homenagem era ao sr. Dominguinhos, o servidor com mais idade da Codesavi (Companhia de Desenvolvimento de São Vicente). Nordestino, aos 22 anos, Domingos Agostinho migrou para São Vicente, e sua história foi o enredo do texto abaixo, o qual denominei: Migrante Calunga.


Fugi da seca da fome do sertão.
Parti em busca uma vida melhor,
De um futuro onde eu fosse o protagonista de minha própria história.
Com a mala na mão, entreguei-me uma missão:
Encontrar a felicidade na primeira cidade do Brasil.

Com um galã de novela, dei início a trama da minha vida.
Conheci o amor de um homem e uma mulher,
Conheci o amor incondicional dos filhos e o prazer de educar,
Conheci o poder da labuta diária e o valor de colocar o pão na mesa.

Nessa terra fiz amigos, e mostrei a força do nordestino.
Que não se cansa para vencer,
Que tem a esperança de viver,
Que vive, mesmo quando lhe resta sofrer,
Que valoriza o abrigo que lhe fez crescer,
E que se sente filho, mesmo que esse não o tenha visto nascer.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Falta de interesse afasta jovens da militância


Por Daniela Origuela

Jovens em ato político na capital São Paulo.
Entre as décadas de 1970 e 1980, a luta pela democracia no País levou milhares de jovens a procurar um espaço para gritar por liberdade. Esse espaço era traduzido nos partidos políticos de esquerda, considerados revolucionários. Mas, o que antes era movido pelo anseio de dias melhores, hoje, para muitos jovens, não passa de um meio que as pessoas arrumam para ganhar dinheiro.

Segundo, o coordenador da Juventude Socialista Brasileira (JSB) na Baixada Santista, Thiago Garcia, 27 anos, esse é o pensamento de grande parte da juventude. Thiago representa os milhares de jovens que ainda militam dentro dos partidos políticos. “A questão é que hoje vivemos num mundo diferente daquele de 30 anos atrás. O jovem não quer discutir política, ele prefere se preocupar com o carro novo, mas não quer saber que a política influencia no preço do pão, por exemplo”, diz Garcia. 

O militante afirma que as notícias veiculadas na mídia também interferem na falta de interesse dos jovens pelos partidos. “Eles acabam rotulando todos que pertencem a uma determinada sigla, só porque alguém cometeu algo errado. É a famosa ‘rejeição antiética’”, completa Thiago.

Para o coordenador da Juventude do Partido dos Trabalhadores (JPT) na Baixada Santista, Arthur Godoy, 29 anos, a questão é que a discussão ideológica está fragilizada. “A juventude está muito individualista, sem a consciência coletiva. Ele se ausenta dos seus compromissos como cidadão”, diz Godoy. 

Sobre o enfraquecimento das legendas, ele cita como exemplo o Diretório Municipal do PT em Santos, atuante na década de 1990 e em fase difícil, atualmente. “O PT não diminuiu em Santos e nem deixou de ter jovens, acontece que as grandes lideranças assumiram outros papéis no Executivo e Legislativo e não tiveram tempo de pensar no partido para o futuro”.  

Os dois jovens dirigentes acreditam que o caminho para modificar o cenário passa pela discussão com a juventude sobre o que é política de verdade e não politicagem. “Isso significa priorizar a formação”, destaca Thiago.

*Matéria publicada na edição de 23/03/2011 do jornal laboratorial "Primeiro Texto", produzido por alunos do 2º ano de jornalismo da FaAC Unisanta.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A utopia do VLT


Desde que me entendo por gente ouço falar do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). Acostumei-me, assim como todo povo da Baixada Santista, de quatro em quatro anos, a imaginar como seriam os tais veículos - sobre trilhos, com pneus, vagões, uma espécie de metrô ao ar livre – e por onde iriam passar.

Passados mais de vinte anos, o Governo do Estado de São Paulo, cujo seu representante atual é o Sr. Geraldo Alckimin (PSDB), iniciou o processo de implantação do sistema VLT no ano passado. Projetos foram aprovados a toque de caixa nas Câmaras de Santos e São Vicente, palanques foram lotados no período eleitoral, e (...) até agora nada!
                       
Ainda bem que não saiu do papel mesmo, pois muitos pontos do projeto precisam ser esclarecidos, como por exemplo, o impacto no já “caótico” trânsito e nos empregos das empresas de ônibus, a integração dos transportes, o público beneficiado, etc. etc. Imagine um trem passando pela avenida da praia nos horários de pico? Quem encara esse trânsito, todos os dias, sabe o que estou falando.
                        
Enquanto a utópica novela do VLT fica só na promessa, outro assunto, que é tão real quanto se pressupõe o Big Brother, não é discutido: A implantação do Bilhete Único na região metropolitana da Baixada Santista. Se bem que o Governo Estadual, andou “cacarejando” ser essa a sua prioridade. Mas como a ponte estaiada e o VLT também eram (pausa para os risos).
                        
Muito mais real e com possibilidades concretas de ser viabilizado, o Bilhete Único metropolitano é a resolução dos problemas dos usuários do transporte coletivo e a verdadeira integração do transporte na região. Além de baratear o custo da passagem, o Bilhete Único, vai possibilitar que indivíduos, como eu, como você, saia do bairro Japuí, em São Vicente, com destino à Ponta da Praia, pagando apenas uma tarifa, por exemplo.
                         
Sem contar que as empresas de ônibus poderão modernizar a sua frota e disponibilizar mais veículos à população, haja vista, a redução nos impostos que encarecem o valor repassado aos usuários (tarifa).  
                         
Para que o Bilhete Único seja de fato implantado na nossa região, é necessário fazermos uma mobilização e mostrarmos aos “cacarejadores” de plantão, que o Bilhete Único é real e possível.
                         
Vamos deixar a utopia para os romances das novelas e as promessas, sem retorno, aos caras-de-pau.
                         
Vamos lutar pelo o que pode se tornar realidade, ou seja, pelo Bilhete Único na Baixada Santista.
                       

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Aborto na casa dos outros é refresco

É muito comum julgarmos os atos dos outros sem olharmos para os nossos próprios atos.
Fazermos críticas aos problemas dos outros, e esquecermos que eles podem se tornar nossos próprios problemas.
O que acontece na casa do pobre, também acontece na casa do rico. Com uma diferença: o poder aquisitivo.
Por exemplo, o aborto da jovem rica é feito em clínica particular ou num consultório médico. O aborto da jovem pobre é feito no “açougue da esquina” ou no banheiro de casa.
Para curar o sangramento, a rica toma remédios e é acompanhada por médicos. A pobre toma “garrafada” e é acompanhada por “curandeiros”.
A mãe da jovem rica quando descobre o ato da filha, finge que não viu: Aborto é coisa de pobre. A mãe da jovem pobre, passa a mão na cabeça, e conta as moedas para ver o que pode fazer pela filha.
A jovem rica não se preocupa com a legislação, afinal ela fez uma Curetagem. A jovem pobre tem medo do seu destino, não procura atendimento médico e sangra até morrer.
Anos mais tarde, a jovem pobre que sobreviveu ao aborto, conta a experiência horrorosa para as amigas. Enquanto a jovem rica, nega até a morte ter feito um aborto e critica todas aquelas que já cometeram.
Chega de hipocrisia. Milhares de mulheres morrem e são mutiladas anualmente devido à conseqüência de procedimentos realizados clandestinamente.
Sabemos que a maior dádiva da vida de uma mulher é o dom de ser mãe, mas não dá pra tratar o aborto como questão religiosa ou moral, enquanto no quarto ao lado pode estar morrendo a sua filha.
“Aborto na casa outros é refresco!”.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

"Palhaçadas"

Um dia desses bem cedinho, dentro do ônibus, a caminho da faculdade, ouvi uma grande discussão sobre os personagens políticos da eleição deste ano. A polêmica começou com a passagem de uma fila de carros repletos de propagandas e bandeiras de um determinado político da região.

Uma senhora grita “político é tudo ladrão, só aparecem de quatro em quatro anos”. Outro senhor com um pensamento parecido dispara “esse aí então nem se fala, por isso é que eu vou votar no Tiririca”. Uma jovem entusiasmada com os comentários decide entrar na conversa “pior não fica, eu também vou votar no Tiririca”. Tem início um verdadeiro debate. Uns contra, outros a favor. Muita gente indecisa. Entre votos brancos e nulos muitos risos e gargalhadas. De vez em quando alguém arriscava um palpite que não envolvesse o nome Tiririca.

De repente, um jovem senhor de voz rouca se intromete na conversa: “Hoje vocês dão risada do palhaço, amanhã o palhaço vai dar risada de vocês”. Todos ficaram em silêncio. Como o ônibus já havia chegado ao meu destino, não pude ver o desfecho desta discussão.

Palhaçadas a parte, votar num palhaço como forma de protesto, é a mesma coisa que votar consciente em alguém que tem ficha suja.

O que não falta nas Câmaras e Assembleias de todo o País são “Tiriricas” vestidos de terno e gravata. Suas melhores piadas podem ser vistas na falta de Educação, Saúde, Segurança, e até mesmo no bolso. Como no circo, quem paga pelo espetáculo somos nós.

Enquanto o povo não entender quem é o palhaço e que voto é coisa séria, a tendência é aumentar cada vez mais o picadeiro.

Quem ri por último, ri melhor!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Biografia de um indigente - Parte I

“Pés descalços, bermuda surrada, um pedaço de pão na mão. No rosto as marcas de um resfriado que se não cura, e no olhar o desejo de ser amado. Não tem o tamanho de um homem grande, mas é tratado como se assim fosse. O choro e os palavrões são as suas armas. Por enquanto, a sua única “amiga e inimiga” é aquela que lhe deu a vida. Ele é o caçula de “uma dúzia de frutos indesejados”. O seu destino não foi traçado na maternidade, e sim num quarto escuro de uma esquina qualquer. Ninguém lhe ouve, seu grito representa um desespero, uma angústia. Dizem que ele é o futuro da nação. Que nação?! As leis que ele aprende não foram feitas por homens engravatados, mas sim por homens armados e amados por aquela que lhe pôs no mundo. Sua primeira foto, foi na mesa de um bar, ao lado da garrafa de pinga e de um maço de cigarro. Foi batizado com álcool etílico, no dia em que sua mãe, mais uma vez, foi abandonada. Nem tudo é tristeza para ele, a bola talvez seja a sua maior alegria, e quem sabe a esperança de um futuro melhor. A única certeza que ele tem na vida é de que quando crescer será um jogador de futebol. “

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O ENEM e o PROUNI na minha vida

Três décadas, trinta anos, essa é a minha idade. Três filhos, Tripla jornada. Literalmente o número três me persegue.

Numerologia a parte, estou vivendo a melhor fase da minha vida. Nunca pensei chegar onde cheguei. Aliás, pensei sim, na brincadeira de criança, quando o meu sonho era entrar na faculdade e ser Advogada.
Forçadamente, e por força do destino, tive que esperar um pouco até que eu conseguisse chegar onde cheguei, ao banco da sala de aula de uma Universidade.

Modéstia a parte, capacidade até que eu tinha, haja vista as minhas notas do Ensino Fundamental e do inicio do Ensino Médio. O problema é que eu decidi, por um acaso, mudar o ciclo natural da vida. Aos 16 anos, com uma criança no colo, tive que assumir o papel de mãe. Os estudos já não faziam mais parte dos meus planos, pelo menos por enquanto.

Abandonei os estudos, constitui família, mas continuei trabalhando.Com três filhos, aos 22 anos, nunca parei de trabalhar. A carreira doméstica não era pra mim. Minha independência começou no meu primeiro emprego, aos 13 anos.

Eu sabia que nos estudos estava a minha chance de ser feliz de verdade. Que era a oportunidade de proporcionar aos meus filhos uma vida mais digna. Infelizmente, não consegui conciliar a vida familiar e profissional, com a escola.

Enfim, no ano passado, quando eu já pensava em encarar um EJA (Ensino de Jovens e Adultos), para terminar o terceiro ano do Ensino Médio, surge uma grande oportunidade: o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio).

O ENEM, além de avaliar o Ensino Médio, proporcionar o acesso as Universidades Federais e ao PROUNI (Programa Universidade para Todos), daria a chance àqueles que, por algum motivo, não concluíram o Ensino Médio, de certificar as suas competências, e se habilitar a continuar os estudos no Ensino Superior.

Mesmo fora da escola por treze anos e sem tempo para pegar nos livros, resolvi me inscrever. Peguei um simulado da internet, e rascunhei algumas respostas. Foi o que fiz até os dias das provas. E que provas!

Foi uma maratona de perguntas longas que, no meu ponto de vista, não eram difíceis de se responder, mas tinha que ser compreendidas. Pura interpretação de texto. Imaginem a situação do segundo dia de prova. Português, Matemática, e Redação. Pensei: “Já era! Nem estudei.”

Contei os dias para saber o resultado. A ansiedade me consumia. Mas, finalmente saiu o resultado das provas. E...surpresaaaa: mandei muito bem. Além de garantir a certificação para o Ensino Médio, havia garantido pontuação suficiente para concorrer às vagas do SISU e do PROUNI.

Confesso que chorei. Chorei muito. Pulei de alegria. Parecia uma adolescente. Pensei nos meus filhos. Na minha mãe. Na minha vida. E na história que um dia eu tinha deixado de escrever.

Inscrevi-me para a 1ª chamada do PROUNI.  Fui aprovada na minha 1ª opção: Jornalismo (que hoje eu curso na UNISANTA). Não sei como descrever a felicidade que senti. Toda vez que eu via o comercial do PROUNI caía no choro e dizia: Eu Consegui!

Nos primeiros dias de aula, custei acreditar que o sonho tinha se tornado realidade. Aos poucos, a ficha foi caindo, e finalmente assumi a minha mais nova posição social: a de Universitária.

Digo que foi Deus no Céu, que me deu força e coragem para alcançar meus objetivos. E o Presidente Lula, na Terra, que por meio da democratização do Ensino Superior, deu oportunidade para que eu, e milhares de jovens do País conseguíssemos ser “Alguém um dia na vida”.